Começando 2026
Àqueles que vivem à sombra dos que lutam,
Não é raro que, em tempos difíceis,
surjam vozes que se erguem em defesa de princípios, valores e da liberdade,
mesmo que isso lhes custe tempo, energia, paz e, por vezes, a própria saúde. O
fazem por senso de dever, por consciência moral, por não suportarem assistir
calados a injustiças que corroem não só os direitos individuais, mas os
alicerces de toda uma sociedade.
Mas há algo mais difícil do que
enfrentar os que se opõem abertamente ao que é justo: é encarar o silêncio dos
beneficiados. Aqueles que assistem de camarote à luta alheia, que permanecem
inertes enquanto outros enfrentam os riscos e o desgaste, mas que,
paradoxalmente, são os primeiros a usufruir de qualquer pequena vitória
conquistada.
É frustrante, profundamente
frustrante, lutar por algo maior do que si mesmo e, ao clamar por apoio, ouvir
como resposta: "Você faz porque quer." Como se o senso de
responsabilidade fosse um capricho. Como se o esforço fosse vaidade. Como se o
sacrifício fosse fardo escolhido por mero gosto.
O brasileiro, em sua maioria, só se
engaja quando a dor lhe bate à porta. Até lá, prefere o conforto da sombra,
sombra essa projetada por quem se expõe, resiste, denuncia, combate e se
desgasta. E assim, o ciclo se perpetua: poucos lutam por muitos, e muitos se
escondem atrás dos poucos.
Essa carta não é um pedido de
reconhecimento pessoal. É um chamado à consciência coletiva. É um grito por
responsabilidade partilhada. Quem cruza os braços diante da injustiça, quem se
cala diante do abuso, quem se omite diante da opressão, não é apenas
espectador, é cúmplice por conveniência.
Portanto, não diga a quem luta que ele o faz porque quer. Diga, ao menos, obrigado. Ou melhor ainda: junte-se a ele em ajuda.
Porque, cedo ou tarde, a sombra que ele projeta, desaparece, e todos ficam expostos.
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